O camelo mongol, no coração da cultura e dos esforços de preservação
Preferido ao cavalo pela sua força e resistência, o camelo sempre acompanhou os nômades mongóis através das estepes e do deserto. Embora existam poucos camelos selvagens hoje em dia, estes são alvo d
Preferido ao cavalo pela sua força e resistência, o camelo sempre acompanhou os nômades mongóis através das estepes e do deserto. Embora existam poucos camelos selvagens hoje em dia, estes são alvo de importantes esforços de conservação. Com o desenvolvimento do turismo e a urbanização do território, o camelo tornou-se para muitos mongóis uma forma de reafirmar a identidade única da cultura e das paisagens da Mongolia.
Um animal resiliente
O camelo é por excelência o animal do deserto, mas não só. Na Mongolia como em outros países, foi privilegiado como companheiro e auxiliar em longas jornadas durante séculos pela sua força e resistência incomparáveis. Pois o camelo mongol, chamado camelo de Bactro, é capaz de sobreviver em condições extremas. No deserto de Gobi, em meio à neve, o camelo pode enfrentar temperaturas glaciais de -50°C.
O camelo mongol de duas corcovas pode percorrer cerca de 50km por dia carregando até 250kg, permitindo aos pastores nômades transportar facilmente suas iurtas e pertences de uma planície para outra. Também é utilizado pela sua lã, muito quente e muitas vezes salvadora.
Uma espécie em perigo
Infelizmente, a população de camelos na Mongolia diminuiu significativamente, principalmente devido à mudança no habitat e nos modos de vida dos mongóis. Totalizando 549 000 em 1985, apenas cerca de 200 000 permaneciam em 2007. Desde então, muitos esforços de preservação foram empreendidos na Mongolia – com a promoção do camelo como símbolo da cultura nômade, a intensificação da criação, o desenvolvimento do turismo e de atividades em torno do camelo - e os resultados são promissores, pois a população de camelos dobrou em dez anos.
Globalmente, os camelos de duas corcovas representam apenas 6% da espécie, todos os outros sendo dromedários. Mas no deserto de Gobi, ainda existem alguns camelos selvagens, cerca de 800, que nunca foram domesticados. Estes são classificados como espécie em perigo crítico. Foi o grande explorador russo Nicolai Prjevalski que os teria descoberto pela primeira vez durante uma expedição no deserto de Gobi.
O camelo na Mongoliga moderna
Mesmo que o camelo esteja perdendo gradualmente seu lugar ao lado dos pastores, frequentemente substituído por automóveis, permanece um elemento determinante da cultura e identidade mongóis hoje. Filmes, livros, festivais são organizados em honra do animal. O mais conhecido é certamente o festival anual dos 1000 camelos que ocorre todo inverno, e oferece jogos tradicionais como corrida de camelo ou polo em camelo. Os viajantes também podem montar camelo para atravessar o deserto de Gobi e viver a vida mongol plenamente.
Para devolver ao camelo seu lugar de direito Baigalmaa Norjmaa empreendeu uma aventura impressionante em 2017 : alcançar o Reino Unido a dorso de camelo partindo de Ulan Bator. Ela deseja assim promover a cultura mongola e apelar pela preservação do camelo, este animal incrivelmente resiliente e importante para a humanidade.
Marion Biremon




