O fotógrafo Hamid Sardar te leva ao encontro dos nômades da Mongólia…
Fotógrafo e cineasta iraniano, Hamid Sardar-Afkhamia faz do povo nômade seu terreno de predileção. Depois de percorrer o Tibete, o Himalaia, o Nepal e a Mongólia, ele retrata através de seus l
Fotógrafo e cineasta iraniano, Hamid Sardar-Afkhami faz do povo nômade seu terreno de predileção. Depois de percorrer o Tibete, o Himalaia, o Nepal e a Mongólia, ele retrata através de seus livros e filmes a trajetória extraordinária dessas mulheres e homens itinerantes. Suas fotografias são atemporais e desconcertantes. Elas evocam o cotidiano dos nômades e o vínculo sagrado que eles mantêm com a natureza e os animais. Te contamos mais sobre o trabalho incrível deste fotógrafo engajado…
A paixão de um fotógrafo engajado
De origem iraniana, Hamid Sardar-Afkhami é um explorador, fotógrafo e cineasta. Mas acima de tudo, é um homem de paixão. Depois de obter seu doutorado pela Universidade de Harvard no departamento de sânscrito e estudos tibetanos, ele inicia sua carreira na realização de filmes. Parte assim à descoberta do Himalaia como associado do Harvard Film Study Centre e explorador da National Geographic Society.
Seus viagens o apaixonam e rapidamente ele se engaja na preservação de culturas e habitats ameaçados de desaparecimento. Posteriormente, Hamid Sardar-Afkhami torna-se até membro co-fundador da fundação Axis Mundi, na Suíça. Esta tem por objetivo a perpetuação dos conhecimentos e das tradições de culturas pré-industriais ameaçadas de desaparecimento bem como a proteção de seus habitats originais do mundo moderno. Recentemente, é na Mongólia que o talentoso fotógrafo dedica seu tempo. Graças a seus filmes, exposições e livros, ele oferece um novo olhar sobre a cultura nômade. Resultado? Seu trabalho, além de ser extraordinário, permite sensibilizar o público em geral sobre o cotidiano às vezes difícil dos nômades mongóis.


A vida dos nômades na objetiva
Durante sua viagem à Mongólia, ele descobre então os Tsaatan (também chamados Doukha), nômades que vivem nas terras selvagens da Mongólia em companhia de renas, que criam para atender às suas necessidades. Embora alguns deles se tenham sedentarizado ao longo do tempo, restam hoje aproximadamente 400 nômades vivendo em imersão com a natureza. São alguns deles que ele acompanhou para aprender mais sobre seu modo de vida.

Dessa viagem, Hamid Sardar-Afkhami capturou fotografias extraordinárias. Encontram-se em seu filme "The Reindeer People" que recebeu o prêmio de melhor filme sobre a cultura das montanhas no Banff Mountain Film Festival. Seu trabalho também originou um livro "Dark Heavens: Shamans & Hunters of Mongolia" no qual ele reúne uma série de imagens arrebatadoras contando a história e a vida íntima deste povo isolado! Nele descobrimos imagens tão brutas e poéticas quanto autênticas. Mas o que particularmente se destaca é o vínculo – algo espiritual – entre o homem e a natureza e especialmente os animais.


Um vínculo sagrado com a natureza
Durante sua viagem, o fotógrafo desenvolveu um interesse particular pelo vínculo sagrado que os nômades mantêm com os animais e a natureza em geral. É preciso dizer, a vida dos nômades depende da vida dos animais. É ao mesmo tempo uma questão de sobrevivência e uma conexão espiritual. Esta relação entre o homem e o animal, o fotógrafo fez disso seu tema de predileção. Assim, na maioria das fotografias que trouxe de sua viagem à Mongólia, podemos ver renas, águias, cavalos, cães e até lobos…


Afinal, não são os homens que ocupam o lugar principal nas imagens, mas sim os animais. Pois além de serem os herdeiros dos caçadores e xamãs, os Tsaatan veem os animais como guias espirituais. Tsuyanqua, uma xamã centenária com quem viajava Hamid Sardar-Afkhami, lhe transmitiu algumas palavras que resumem perfeitamente este vínculo especial: "a natureza, os animais e a memória de nossos ancestrais. Uma vez que esquecemos disso, os anjos da guarda nos abandonam e os demônios apoderam-se de nosso destino." Palavras com ressonância profunda que encontramos perfeitamente nas imagens do fotógrafo…
Florine Dergelet


